Um breve histórico A expressão Open Educational Resources (OER), o equivalente em inglês de REA, foi cunhada em 2002 em discussões no Fórum sobre o Impacto de Materiais de Curso Abertos da UNESCO. O termo foi criado para denominar “o fornecimento de recursos educacionais, possibilitado pelas tecnologias de informação e da comunicação, para consulta, uso e adaptação por parte de uma comunidade de usuários sem fins comerciais”. Entretanto, na década que transcorreu desde a sua criação, OER/REA passou a denominar não somente os recursos compartilhados na Web explicitamente com o propósito de se contribuir para a democratização do conhecimento, mas, na realidade, um movimento que agora conta com o suporte de instituições, governos e indivíduos espalhados pelo mundo. Com o suporte da UNESCO e de um número de instituições de financiamento, o movimento REA se diferencia do compartilhamento de conteúdo aberto conduzido na Web de forma geral, parcialmente em função de sua ênfase no compartilhamento e reuso legais, feito sob licenças abertas (por exemplo, do Creative Commons) e, mais recentemente, pela preocupação crescente com a criação de mecanismos de avaliação de qualidade. A grandes projetos como o OpenCourseWare do MIT, OpenLearn) da Open University do Reino Unido e Connexions, da Universidade de Rice, vieram se unir um número de iniciativas visando não somente a implantação de repositórios para compartilhamento na Web, mas também a discussão e criação colaborativa de práticas de reuso, metodologias de pesquisa e referenciais de qualidade. O movimento, em sua forma corrente, não mais se ocupa somente das questões relativas ao compartilhamento de recursos propriamente dito, ou seja, como garantir a interoperabilidade entre sistemas e plataformas de compartilhamento, como abordar e solucionar problemas relativos a direitos autorais e, principalmente, como garantir a sua sustentabilidade. Tais questões permanecem, é claro, cruciais, mas, de forma mais abrangente, emerge agora um interesse nas novas feições da Educação Aberta que começam a aparecer em termos de práticas de criação e apropriação dos REA nos mais variados contextos, incluindo para a aprendizagem informal, e que, em sua instância institucional começam a ser conhecidas como Práticas Educacionais Abertas (PEA).
Em junho de 2012 a comunidade REA e a UNESCO comemoraram os 10 anos da área no World Open Educational Resources Congress em Paris, onde foi formalmente adotada a Declaração REA Paris 2012, a qual convida os governos ao redor do mundo a instituirem a adoção de licenças abertas para o compartilhamento de conhecimentos produzidos com recursos públicos. No Brasil, destaca-se um número de projetos na área de compartilhamento aberto, incluindo o trabalho da Comunidade REA-Brasil, todos possuidores de uma identidade própria e consistente com as realidade do nosso país. REA se constitui em uma área fascinante na qual se imiscuem ativismo, criação e uso de tecnologias de ponta e desenvolvimento de políticas públicas, e desta confluência emergem múltiplos temas para discussão, desenvolvimento e pesquisa. Trata-se de uma área em sua infância, mas dada a sua ligação intrínseca com as TIC e o seu potencial impacto na Educação, talvez REA venha a se constituir em um dos desenvolvimentos mais significativos a emergir neste início de século. Saiba mais O quadro abaixo oferece uma seleção básica de recursos sobre REA, mas uma forma interessante de explorar a área é partir dos artigos na Wikipédia: Recursos Educacionais Abertos, para uma visão brasileira, e Open Educacional Resources, para um mapa mais abrangente da área além de muitos links interessantes.
Preparado pela Profa. Dra. Giselle M. d. S. Ferreira – PPGE UNESA/The Open University, Reino Unido
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